CARREIRA DESPORTIVA
DO JOVEM TRIATLETA

 

Este apontamento tem como objectivo principal dar um contributo a todos os agentes desportivos menos esclarecidos envolvidos nas áreas da formação em Triatlo e que se preocupam em desenvolver um trabalho com jovens objectivando para estes uma carreira desportiva não só promissora enquanto jovens mas também de êxito futuro enquanto adultos. Também pretende ser uma fonte de informação para os actuais e futuros pais que desejam para os seus filhos uma formação desportiva equilibrada para que a prática de uma actividade física desportiva ocupe sempre um lugar importante ao longo das suas vidas.

A CARREIRA DESPORTIVA DO JOVEM TRIATLETA DESDE A INFÂNCIA E SUAS IMPLICAÇÕES FUTURAS

A importância deste tema é de tal dimensão que os seus reflexos vão, sem sombra de dúvida, revelar-se futuramente nas prestações conseguidas pelos triatletas qualquer que seja o seu nível de rendimento ou o seu modo de estar no Triatlo, desde a pura manutenção ao alto rendimento.

Como? Assim como o aprender a andar de bicicleta, também o aprender a nadar e correr fica registado na memória e, em condições normais de saúde mental e física, nunca se esquece ao longo de uma vida mesmo que não se pratique durante largos períodos de tempo.

Mas não é só ao nível desportivo que se fazem sentir os benefícios de se ter uma carreira desportiva orientada desde a infância. A frequência de uma escola de natação proporciona um primeiro contacto com a actividade física planeada. Esta inclui também as vertentes utilitária e lúdica, que também são bastante importantes.

 

A NATAÇÃO

E então se a escola de natação for bem estruturada e organizada tanto técnica como pedagogicamente, os benefícios sairão acrescidos.

Assim, será útil dominar o equilíbrio do corpo e a respiração tanto à superfície como em profundidade, assim como ter conhecimentos sobre como se comportar perante situações de emergência, e saber nadar em diferentes estilos.

A vertente lúdica enraíza o gosto pelas práticas aquáticas, cria uma maneira de estar alegre e descontraída no meio aquático e proporciona experiências únicas que enriquecem de sobremaneira o repertório neuro-motor do indivíduo. Por isto mesmo, se estas experiências tiverem lugar na infância, quando existe uma grande capacidade de adaptação e aprendizagem, esse facto constitui um garante de boas prestações futuras.

Destes factos se conclui que quanto mais estas actividades se iniciarem nas alturas e idades apropriadas, maiores serão as probabilidades de êxitos desportivos.

Em minha opinião uma escola de Natação percursora de uma escola de Triatlo, bem estruturada técnica e pedagogicamente seria aquela que colocaria como objectivo de vital importância (caso dispusesse de meios humanos, técnicos e materiais suficientes), a seguinte sequência pedagógica:

  • Admissão na escola a partir da idade de 6 meses
Frequência semanal : 40 min. acompanhado por 1 familiar adulto
Nº de alunos por prof. : 6
Material utilizado : Baldes, bolas, regadores, tapetes flutuantes e brinquedos aquáticos em geral
Exercícios : Chapinhar, brincar com objectos, deitar em posição ventral e dorsal, água na cara, cair para a água desde sentado, imersão involuntária por volta dos 12 meses

 

Frequência semanal : 40 min. acompanhado por 1 familiar adulto
Nº de alunos por prof. : 6
Material utilizado : Braçadeiras, baldes, bolas, regadores, tapetes flutuantes, pranchas, rolos, arcos, objectos submergíveis
Exercícios : Brincar com objectos, deitar em posição ventral e dorsal, cara na água, saltar para a água de pés, pedalar, puxar e empurrar a água, deslocar-se, movimentos de rotação, expirar na superfície e imerso, imersão voluntária

 

  • Dos 3 e meio aos 6 anos
Frequência semanal : 2 vezes 40 min.
Nº de alunos por prof. : 6
Material utilizado :Bolas, tapetes flutuantes, pranchas, rolos, arcos, objectos submergíveis
Exercícios : Expirar imerso, flutuar e deslocar-se ventralmente sem material de apoio em zona com pé, flutuar e deslocar-se dorsalmente com e sem material de apoio em zona sem pé, permanecer e deslocar-se em zona sem pé á superfície e em imersão, saltar de pés e cabeça para zonas com e sem pé, buscar objectos em zonas com profundidade superior à sua altura, controle respiratório em deslocação

 

  • Dos 6 aos 9 anos
Frequência semanal : 3 vezes 45 min.
Nº de alunos por prof. : 10
Material utilizado : Pranchas, flutuadores para pernas, bolas, cestos de basket, redes, balizas
Exercícios : Aplicação de progressões pedagógicas para a aprendizagem das técnicas de Natação Pura, Aperfeiçoamento dessas técnicas, Introdução básica ás disciplinas de Sincro, Pólo, Saltos e Salvamento

 

  • A partir dos 9 anos
Início do encaminhamento de alunos para escolas de Triatlo onde começariam a ser ensinadas as outras disciplinas, ciclismo e corrida.

 

Naturalmente que esta linha pedagógica está definida em traços gerais porque cada escola tem a sua especificidade diferindo das outras em muitos aspectos (objectivos principal e secundários que levaram à criação da Piscina e da escola de Natação, tipo de autonomia decisória de que dispõe a coordenação da escola, nível económico da população alvo e sua densidade nas localidades envolventes e capacidade técnica e pedagógica dos recursos humanos, técnicos e materiais, entre outros).

Se assim for, e mediante uma prática desportiva regular, os alunos adquirirão hábitos de treino, de assiduidade, de responsabilidade, no fundo adquirirão uma filosofia de vida que incluirá certamente, uma prática desportiva regular e que lhes trará benefícios a vários níveis (social, familiar, profissional). Ficarão habituados a ultrapassar as dificuldades com perseverança, ponderação e método, requisitos para o êxito no desporto, e portanto, em tudo na vida.

Referindo-me agora à prestação desportiva de excelência (entenda-se alta competição), só teremos os nossos atletas a lutar de igual para igual com os melhores europeus e mundiais, quando a sua carreira desportiva desde a infância se tenha desenvolvido correctamente.

Pergunta-se nesta altura : E como se estruturará a carreira desportiva de jovens tendo em vista virem a ser triatletas de alto rendimento?

Que eu saiba, e porque a modalidade tem apenas 20 anos de vida, ainda não existem estudos aprofundados elaborados sobre esta matéria.

No entanto adianto a minha opinião:

Sou partidário de que é na Piscina que se formam os futuros triatletas (de alta competição e não só), daí a sequência técnico-pedagógica que refiro atrás. E quando aponto os 9 anos como a idade das grandes decisões e opções, será nessa altura que deverá ser iniciada a prática regular e orientada da corrida a pé.

 

Quanto à disciplina de ciclismo, a sua prática regular e orientada deverá ter início por volta dos 11 anos porque nessa idade os jovens já sabem o que é o Triatlo atendendo a que desde a infância praticam Natação e com os 2 anos de corrida a pé que já possuem encaram com mais facilidade a aposta na participação em triatlos jovens.

Mas surgem mais perguntas : Porque é que no ciclismo e na corrida a pé se deve iniciar uma prática regular mais tarde do que na Natação?

A minha resposta é que o ser humano necessita de um período de adaptação a um novo meio (aquático, neste caso), para posteriormente tirar o melhor partido dele. Entretanto na Natação foi treinado o sistema cardiovascular e por outro lado não nos podemos esquecer que as brincadeiras da infância são feitas de correrias e os passeios com os colegas e amigos, particularmente nas férias escolares, fazem-se em BTT. Daí ser naquelas idades que os sistemas musculares específicos empregues na corrida e no ciclismo devem começar a ser trabalhados.

 

(Artur Parreira, Agosto 2000)